Dr. Jekyll e seu jaleco

Este post foi escrito há 17 anos. Ele não só não condiz mais com as opiniões atuais do autor, como o autor provavelmente discorda dele e se revira na cama à noite quando lembra do que ele escreveu.
Eu poderia dizer que ele e é mantido aqui por caráter histórico, mas eu não tenho certeza dos motivos que ainda fazem este post estar aqui.

Só há duas classes de profissionais que fazem questão de sair na rua com a roupa de trabalho: os médicos e as putas. Veja bem… nada contra as putas. E que elas não se sintam ofendidas com tão sublime comparação. Não é nem culpa delas, coitadas: Sendo a rua seu ambiente de trabalho, elas não têm muitas alternativas. Mas os médicos… Qual a explicação plausível para que esses indivíduos saiam às ruas trajando seus jalecos?

Originalmente, as funções dos jalecos são higiênicas: Proteger tanto o médico quanto o paciente de bactérias. No caso do médico, protege das imundícies relativas às condições infecciosas de seus moribundos clientes; e, no caso do paciente, o protege de fatores externos ao hospital, como a sujeira que deve ficar incrustada no pobre doutor – proveniente da locomação do mesmo pela fétida cidade onde reside.

Quedê o Jaleco?
Merda! Meu jaleco se perdeu com a bagagem!

Tendo tais funções tão bem esclarecidas e definidas, fica a porra da pergunta: O que fazem esses imbecis praticantes da medicina trajando seus jalecos na rua? É provável que eles busquem status; talvez o orgulho da profissão seja um tanto maior que a inteligência. Não sou capaz de mensurar quanto status ou orgulho alguém pode ter enquanto come uma gordurosa coxinha de frango numa lanchonete trajando o mesmo jaleco usado em hospitais. O máximo que ele consegue é emporcalhar-se de tal forma que fica impossível diferenciar o que é ketchup, o que é sangue, o que é mostarda ou o que é pus.

Alguns até andam com o estetoscópio nos ombros. Sempre bom ter um à disposição, não? Dá pra ouvir mais fácil se o ônibus está chegando ou coisas do tipo. Será que se fossem borracheiros andariam com um pneu no pescoço também?

É bom que se ressalte que essa estupidez é proveniente somente a uma seleta parte dos executores da nobre arte da medicina. Ter uma classe inteira de dignos profissionais emputecida comigo também não é muito inteligente. Vai que um dia eu fico famoso… Não quero arriscar ir em um hospital e alguém mijar no meu soro.